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20.05 - Força e ternura marcam a Noite de Gala do Ballet Nacional de Cuba

Leila Maria é do lar e espera que a noite seja maravilhosa. “Sempre venho ao Central quando o assunto é dança”, revela. Carolina Amorim, universitária, chega com um grupo de amigas de Santos Dumont. Elas fazem parte de uma escola de dança naquela cidade. “Não viemos para fazer comparações, só queremos apreciar”, afirma. As expectativas do público são muitas – e a razão para tanto é a apresentação do espetáculo Noite de Gala de um dos principais grupos de balé do mundo, o tradicional Ballet Nacional de Cuba, em turnê pelo Brasil com parada em Juiz de Fora, no Cine-Theatro Central, no último dia 12.

Com atraso de 15 minutos, as cortinas se abrem. O cenário é o interior de um castelo. Um casal entra e começa a rodopiar. Logo, muitos casais fazem o mesmo, envolvendo personagens e platéia em um grande baile. Após os agradecimentos, o primeiro casal dá o seu show à parte. Mulher e homem evoluem juntos e individualmente. Palmas calorosas da platéia. A seguir, entra outro casal já arrancando gritinhos do público. Ele, trajado de toureiro. Ela, um conjunto vermelho e preto. As palmas permanecem presentes durante toda a apresentação da dupla – e o clima espanhol da música certamente garantiu a ovação ao final.

Cortinas fechadas. À frente destas, vem um rapaz andando, vestindo collant. A platéia em suspense – acostumada aos trajes românticos do balé clássico. Entretanto, foi com grata surpresa que as exclamações de encanto se seguem ao abrir das cortinas. O rapaz e mais quatro jovens encenam uma espécie de aquecimento. Pulos, saltos, rodopios – está para começar uma aula de talento. Algo como um som eletrônico com toques latinos é a trilha sonora. Em cena, os bailarinos se desafiam, e o jogo de luzes intensifica o clima de força. Iluminado, o público recompensa com palmas aquela mistura de jazz contemporâneo e clássico.

Após um intervalo de 15 minutos, as cortinas se abrem novamente. O cenário é outro, e as penas que ornamentam a roupa das diversas bailarinas no palco revelam: trata-se de O Lago dos Cisnes. A música de Tchaikovsky é inconfundível. O casal protagonista evolui – ele de aspecto sonhador e ela, sofrida. Logo, os pequenos cisnes evoluem também. A história de amor entre a princesa Odette e o príncipe Siegfried, marcada por uma maldição, emana ternura em cena. O resultado não poderia ser outro: palmas e mais palmas entusiasmadas.

As cortinas se fecham, mas a platéia sedenta não se move. Haverá mais? Um contra-regra aparece no palco e anuncia rapidamente – a noite de sonho acabou.

Alicia Alonso, a grande mentora do espetáculo, não veio a Juiz de Fora – estava no Rio de Janeiro, segundo a produção. A ausência não tira o brilho do espetáculo: sua magia e simplicidade se estendem a seu corpo de baile. Prova disso é a transformação que se verificou no Central: enquanto os últimos espectadores saíam, era possível ver rapazes e moças surgindo das coxias, com roupas comuns, sorrisos nos lábios e vozes alegres em castelhano. Saíam do teatro e se misturavam aos mortais que circulavam pelo Calçadão – sem os traços do divino talento que demonstraram há poucos instantes.

AOD